Queria entrar para história, não apenas ser um documento velho e cheio de poeira na estante de uma biblioteca, mas algo que todos leiam e compreendam o que eu quero passar, minhas histórias, teorias, minhas alegrias e tristezas. Penso que talvez nunca tenha visto um drama como o meu em nenhum livro ou uma ficção tão romântica quanta a minha. Todos me veriam por inteiro, pelo avesso, por dentro e por fora, exatamente como eu mesmo sou ou seria se eu entrasse para a história. História não é nada menos que uma poesia, cantada suavemente com o ressôo de vidas, entrelaçadas por amores, vinganças ou por somente um sorriso que fizera a felicidade de uma pessoa por alguns instantes. História é vida e morte, é a saturação de um mundo e seus seres. Por isso se eu entrasse para a história eu continuaria vivo, sendo eu mesmo em muitas palavras, faria de meu coração, inspiração para corações vazios e desolados, assim como tantos na "história" foram-me inspiração. A História da qual digo não se passa somente entre os séculos, passa-se nos meus minutos, nas células que percorrem meu corpo e nas imagens que vejo pelos meus olhos, passa-se nos seus minutos, nas suas células que percorrem o seu corpo e nas imagens que você vê pelo seus olhos, que se entrelaçam numa batida de coração em um abraço, em um beijo ou em um simples olhar. A História que eu queria entrar é a consciência comum, é sentir e ser sentido, notar e ser notado. É viver como talvez ninguém jamais tenha vivido antes, na "história".
L.M.
L.M.
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